sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Eu, libriana, boca aberta.

Depois que li em algum lugar que UM dos defeitos da libriana é falar demais, vesti a carapuça. Eu falo mesmo! Falo tanto que ás vezes até o "crítico" que mora em mim (parecido com aquele que Kóstia encena na "máscarada" em "A Construção da Personagem"), me manda calar a boca. Mas e daí, sou verborrágica mesmo. Descobri de uns tempos pra cá que a minha "úlcera" se alimenta do meu silêncio imposto por essa urucubaca que reside dentro de mim. Sendo assim, qual a cura pra "úlcera" não crescer? Falar. Ou, escrever.
Admito. Estou entregue ao mundo de Nelson Rodrigues. Não "só" ao seu teatro, mas a sua vida, a sua técnica, ao seu contexto e a sua depressão (e a suas alegrias, já que ele também era um ser humano).  Estou entregue e quem sabe assim como Bráz, economizando em psicanálise (se é que eu preciso disso). Se preciso, meu psicanalista é um nome tão bom tanto quanto o de Freud. Lhes apresento Rodrigues. Ou melhor: Nelson Falcão. Isso. Nelson Falcão. Não que eu não goste de Nelson Rodrigues. Ai de mim se eu disser algo contra o nosso "Anjo Pornográfico". Mas pra mim, na minha terapia psicanalística ele será o meu (sim,meu) Nelson Falcão. Até porque é ele (não, não estou frequentando nenhuma mesa branca, ou terreiro de macumba) que tem aturado minhas crises verborrágicas durante as madrugadas (agora por exemplo são 4:27 da manhã). E eu não paro de falar. E minha cabeça não para de pensar.
Benditos sejam os biógrafos! Eu nunca teria coragem mesmo de apelar pra espiritísmo pra perguntar pra Nelson Falcão as minhas dúvidas. Muito menos pra candonblé, macumba, umbanda e essas coisas. Nada contra! Eu até brinco, curto as batucadas, mas.... essa coisa de um ser estranho no meu corpo, não. Mas espera lá: no teatro você não empresta seu corpo pra um ser estranho? Seria o palco uma mesa branca? Um terreiro? (desculpem, outra vez o "crítico" [juro que vou encontrar um nome melhor] que reside em mim, falou alto) Enfim. Voltando. Benditos sejam os biógrafos! Saúde a Ruy Castro! Que teve a paciência de juntar os escritos de "A Manhã"  e juntar todas num livro bonito.
Falando em "A Manhã" olha a hora. Olha a minha boca aberta. O dia já é outro. Minha mente precisa descansar.


Boa noite!

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