domingo, 11 de novembro de 2012

Antes de deitar... (porque deitar não significa dormir)

Antes de deitar, respire fundo e tente pensar naquelas pequenas palavras das quais você idealiza e quer pra si. Automaticamente você vai suspirar e abrir um leve sorriso (não necessariamente nessa ordem). Seus olhos que ainda não estão fechados, farão do teto branco uma espécie de tela e as palavras geradas da idealização e do desejo, se transformarão em cenas, imagens e cores projetadas nesse médio espaço em branco. Quanto mais fundo a entrega, mais intenso serão os flashes e depois de um certo tempo as palavras se tornarão cheiro, clima e som. Tudo estará tão verdadeiro e tão próximo, que você irresistivelmente se deixará levar pelas projeções com cheiros, cores e som e as pálpebras, sem compromisso com a pressa, lentamente começarão a baixar. Com as pálpebras fechadas, o mergulho nesse mundo movido pelo desejo, será mais intenso e o barbante grosso que outrora separava o factual com o ficcional, se transformará numa linha fina, tênue, pronta para arrebentar. Tão fina e transparente que cinco minutos serão suficientes para sua mente emaranhar-se em um pensamento onde o fato e o fictício são irmãos gêmeos. E aí então, você começa a sonhar.. pois de todas as insônias causadas pela sina do querer e não poder e não ter, você chama o sono para sonhar. Só isso é realmente seu.


Sob os enfeitos da lúcida embriaguez de Luís Alberto de Abreu.

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