quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Eu, a aspirante á atriz.

Hoje, finalmente saí "satisfeita" da aula de interpretação lá no Conservatório.
Sensação deliciosa essa de poder trabalhar e se jogar em cena sem medo de ser feliz.
Coloquei áspaz no "satisfeita" porque na verdade, muito ainda há de ser lapidado em mim, m u i t o. Mas já fico feliz em poder colocar na prática as coisas que ando estudando teoricamente. É colocar apenas o sapato da personagem, que tudo, desde a pontinha dos pés vai esquentando, esquentando e quando me dou conta, estou lá, emprestando meu corpo pra alguém que quer vida.

Estou feliz com esse inicio, e espero realmente que o processo continue assim pra melhor!

terça-feira, 31 de julho de 2012

Eu x Eu mesma

Eu estou com vontade de conversar, sabe?
Minha psicóloga que me perdoe, mas nossos 30 minutos juntas são pouco, pouquíssimos e do jeito que minha cabeça anda, acho melhor começar a anotar os assuntos do mês pra não perder tempo, pensando no consultório. Até porque sou libriana né! E correm boatos por aí que as librianas falam pelos cotovelos.. rs
Estou aproveitando minha ultima semana em férias. Pois é! Voltei pro conservatório, mas ainda não voltei pra faculdade. Antigamente, eu aproveitava a primeira semana de julho e caía no tédio o resto do mês, hoje em dia, parece que saí de férias ontem e voltei hoje. Acostumei com esse descanso e como foi estranho voltar pro conservatório ontem. Mas voltei. Estava com saudades do pessoal, das aulas... mas confesso, não fui surpreendida com nada e pra mim tudo está a mesma coisa. Enfim.
Acredito e quero que esse semestre seja diferente. E pra melhor... Estou precisando de novidades na minha vida. Complicado é que eu não sei como buscar essas novidades.
Desaprendi a me interessar nas pessoas sabe? E está sendo tão difícil recomeçar de novo...
Tenho preguiça das pessoas... preguiça de correr atrás delas... preguiça de correr atrás do novo.
Mas de uns tempos pra cá, tenho percebido que se eu não fizer nada, nada vai acontecer mesmo. Eu só ainda estou pensando em como e por onde começar... esse meu jeito "introvertido" me atrapalha e muito... mas acho que sou capaz de extroverter e quem sabe, mudar essa situação.
As vezes me sinto completamente sozinha.
Sem amigos pra desabafar, sem ninguém. Sem aquela pessoa que fica horas te ouvindo e falando também... sobre a vida, sobre os amores, sobre as aprendizagens... sobre tudo. E é triste, querer alguém pra conversar e não ter. Aliás, ter só nas horas de conveniência..
Desaprendi em como fazer amigos... e espero que eu ainda saiba como mante-los.

Enfim...
Acho que já desabafei um pouquinho... não da forma como eu queria mas.. é melhor do que não ter outra opção!
Boa noite.

Tempo.


Pessoas queridas serão pessoas queridas passe o tempo que for.
O dia de hoje só me fez ver que quem é de verdade, é de verdade pra sempre.
E depois de tanto tempo longe, senti que o carinho só aumentou e perdurará para sempre.
Eis o retrato de duas pessoas que eu admiro, amo e tenho como exemplo.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Pêra madurinha

"A morte é anterior a si mesma. Ela começa muito antes, é toda uma luminosa e paciente elaboração."

Saudade é coisa lazarenta. E pra piorar, de uns tempos pra cá, passou a ter gosto.
Quando lembro da morte da minha avó, felizmente não sinto repulsa ou frustação. Fui uma neta bem presente da forma que pude. Ia pra escola de manhã, almoçava ao meio dia e lá pelas duas da tarde eu saia de casa sozinha, feito um passarinho que sai da gaiola pra ver minha vó. Na maioria das vezes eu chegava e ela estava lá, naquele corredor apertado, sem azulejo ao lado de suas flores e plantas, sentada na sua cadeira velha, com uma pêra e uma faca sem ponta na mão. Ela me via, sorria mesmo sem dentaduta, estendia sua mão com pêra e dizia: "servida fia?". Eu chego a rir ainda com essa cena, que graças a Deus ainda está colorida e nítida em minha memória (algumas outras eu já não me lembro mais).
A pêra de tão madura estava amarelinha. Ela pegava a faca sem ponta, dividia em duas partes e pêra de tão madura pingava seu caldo mais doce do que aqueles sucos de cajú que a gente compra em mercado. Metade pra mim, metade pra ela. A maciez da fruta tinha motivo: minha avó não conseguia morder com força alguns alimentos. Na verdade, as unicas frutas que ela ainda saboreava eram a banana e a pêra. E a tal da pêra era tão macia, tão macia, que derretia na minha boca. E nós sorríamos juntas com os labios molhados daquele caldinho doce.
Eu sei muito bem que toda aquela doçura não vinha só da fruta, de alguma forma ou de outra a fruta sugava das mãos da minha querida velha o amor que ela me devotava. Eu, tão pequena, nem neta de sangue. Mas de coração e que coração.
Passou-se o tempo e aquele corredorzinho apertado ganhou azuleijo e uma porta, o sol não batia mais nas plantas e elas foram morrendo aos poucos, dona Lázara já não tomava seus banhos de sol ali e na fruteira não existiam mais nem bananas e nem pêras. A história deu-se por si só. Ela se foi.Foi adoçar outros cantos, conhecer frutas mais doces e comer de todas elas, até as mais durinhas. Como lembrança me deixou o amarelinho da fruta e como prova do seu amor o doce néctar que ela possuí.


Estou morrendo de saudades vó!