Nunca pensei nas palavras "me aceitar" como tenho pensado agora.
Eu sempre fui uma pessoa de auto cobrança, mas nunca parei pra pensar que eu me cobrava até demais.
Me cobrava em ser a filha, a amiga, a estudante, perfeita. Sempre me coloquei a disposição de tudo pra alcançar tal perfeição, pra não deixar ninguém desapontado, mas eu me desapontava. Eu não me realizava, eu me doía por tentar ser algo que não sou.
Pra falar o português claro, eu me repreendia em favor do sorriso e da compreensão dos outros, da inclusão dentro de uma sociedade que não tinha absolutamente nada a ver comigo. Fui feliz? Sim, de certa forma. Eu ri muitas vezes, tenho momentos bons guardados, mas costumo dizer que EU, EU mesma não fui feliz, quem foi, foi algum eterônimo meu, pelo menos ele saiu satisfeito.
Ainda falando claramente, quando eu me expunha de verdade, poucos me aceitavam. Então me guardava novamente.
Com o passar o tempo eu aprendi a me libertar e a me mostrar, e fui aí que tudo foi mudando. Percebi que nem todo mundo que estava do meu lado, permaneceu, quando descobriu que a Thaís de verdade gosta de sair, zuar, namorar, falar palavrão, cantar e dançar todo tipo de musica e fazer o que tem vontade de fazer. Percebi que nem todo mundo estava do meu lado pra tudo e vi muitas, inúmeras máscaras caindo.
Teve gente que se aproveitou do meu "desvaneio" pra me afundar ainda mais, e infelizmente essse tipo de gente me venceu, me derrubou, me estrassalhou e me deixou caída no chão. Doeu, mas foi necessário. Necessário porque foi quando eu estava fudida no chão, que eu pude ver quem me dava a mão, e me ajudava a curar as feridas pra poder voltar a caminhar.
E eu voltei, de salto alto, pronta pra pisar de uma forma sutil em todo tipo de gente que pisou explicitamente e sem medo na minha vida. Descobri que eu não precisava usar das mesmas artimanhas que usaram contra mim, descobri que meu sorriso era muito mais poderoso do que qualquer palavra mal proferida e intencionada contra eles, eu aprendi a me aceitar.
Foi difícil chegar até aqui, e ainda tenho chão pra minha completa satisfação, mas hoje, pra minha felicidade eu posso dizer que sou feliz. Sou feliz sendo quem eu sempre fui. A Thaís teimosa, nervosa, indecisa, que fala palavrão, que faz o que quer, que gosta de festa, de farra, de dançar, cantar, gritar, fazer teatro, que não pensa em casar, mas pensa em ter filho, que quer morar sozinha, viajar sozinha, que briga todos os dias e responde seus pais mas os ama acima de tudo, que na verdade só procura meios pra ser feliz.
Hoje eu realmente vejo quem está do meu lado, mesmo em meio a tudo isso, quem me aceita e me corrige quando preciso. E é pra eles que eu me dou, são pra esses que eu devo satisfação e preocupação, o resto pra mim é resto e não tenho medo de falar. Tudo de mais importante que eu podia perder, eu já perdi, perdi porque quis, perdi porque deixei que a vida me mostrasse de verdade quem estaria do meu lado, e a vida me mostrou. Se contam nos dedos quem eu chamo de amigo, são poucos, mas se encaixam perfeitamente no título, sem banalizar, sem exagerar, simplismente aqueles que sempre estiveram do meu lado, e que sempre me amaram incondicionalmente, não pelo que eu tenho e sim pelo que sou.
Hoje, não é a opnião dos outros que move o meu mundo, e sim a minha opnião sobre eles que faz a rotação acontecer. Hoje, o unico julgamento que me vale é o meu e o de Deus, pois cada um sabe exatamente aonde o bixo pega, cada um saber a sua dor, sua delícia, suas perdas e seus ganhos.
Hoje posso até ter me tornado fria, calculista, mas sofro menos. E dentre os "mil" amigos que eu tunha, prefiro os que cabem na palma da minha mão, os bons, os velhos e nem tão velhos assim. Mas verdadeiros! Que fazem da verdade deles a minha também.
Beijo, amores.
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